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Condições Climatéricas para a semana (17 Outubro a 24 Outubro ) no Arquipélago de Cabo Verde

Weather Conditions for the week (17 October to 14 October) in the Cape Verde archipelago.

 

A TABANKA – UM SÍMBOLO GENUÍNO DE CABO VERDE

 

A tabanka, espécie de “irmandade” ou associação de socorros mútuos, surge em Cabo Verde, nas zonas rurais da ilha de Santiago, por volta do século séc. XVI. Segundo Eutrópio Lima da Cruz, “trata-se essencialmente duma procissão dançada [...] que mobiliza uma vila inteira ou grupo de pessoas unidas para a vida e para a morte […] Esta manifestação coletiva insere o indivíduo num sentimento de solidariedade que confere à procissão uma certa importância e lhe dá uma aparência de organização, magnitude, ritmo e esforço coletivo embora continue sendo um divertimento”.

 

 

A palavra tabanca é proveniente de Guiné-Bissau, zona de abundantes rios de onde chegaram as primeiras levas de escravos levados a Cabo Verde. Originalmente designaria, em língua temne, os baluartes edificados na costa pelos navegadores portugueses, mas acabou por se reportar aos aldeamentos guineenses, até entrar no vocabulário crioulo, ganhando um novo significado: as festividades dos escravos nos aldeamentos das ilhas que foram aos poucos aparecendo e ganhando força.

 

 

Segundo José Maria Semedo e Maria R. Turano, o fenômeno da tabanka no séc. XVIII remonta à celebração de 3 de maio, dia de Santa Cruz dos escravos, quando os proprietários, senhores de escravos (morgados), imbuídos de espírito cristão, lhes deram, por um dia, a liberdade. Como forma de manifestação e resistência à situação em que eram colocados, os então libertos aproveitaram o fato para fazer os seus festejos, em jeito de rebeldia, realizando um teatro de rua em que ridicularizavam a estrutura social em vigor, misturando aspectos religiosos cristãos com práticas de origem africana. Aos poucos o período de festa aumentava, tomando espaço desde os princípios de maio até os primeiros dias de Julho, prolongando-se até o dia de S. João, santo que passou a ser igualmente uma das figuras presentes nas tabankas, como no caso da de Achada Grande, na Praia.

 

Começa assim a inter-contaminação entre a Igreja católica e o fenómeno da tabanka, influenciando-se uma a outra. A cerimónia acaba se tornando um símbolo de força e resistência, que viria a diminuir as barreiras culturais entre os povos africanos e portugueses. Maria Emília dos Santos e Maria João Soares, explicam em seu livro “História Geral de Cabo Verde”, que: “a interpenetração da religião católica e das religiões africanas nas suas manifestações públicas terá proporcionado o franqueamento de barreiras por circunstâncias que passavam despercebidas aos próprios atores católicos e “gentios”. Trata-se de um fenómeno natural: o solstício do verão. Os rituais religiosos dos povos do hemisfério norte são marcados pelo mesmo sentido cósmico e coincidentes, porque se regem pelo tempo astral. Assim, o dia de S. João, data do pagamento das rendas rurais e de todos os contractos, representa o dia-a-dia das festividades dos santos populares, já assimiladas na Europa às festas das colheitas durante o mês de Junho e acolhidas na tabanka cabo-verdiana”.

 

Apesar de historicamente o catolicismo colocar algumas reservas a esta festividade, preocupado com as manifestações de cultura africana, consideradas então como pagãs, o clero, também crioulizado e também proveniente das zonas rurais, se identificava com as tradições e festividades propostas pela cerimónia, por que subjaziam à sua origem, estando assim mais predisposto a permitir as práticas onde despontava algo das crenças dos escravos. Estes, por seu turno, convertidos ao catolicismo, procuravam aproximar os seus actos da Igreja Católica (sempre presente nas suas vidas, desde a conversão, forçada ou não), passando a construir as suas próprias capelas, que eram o natural centro dos festejos que celebravam.

 

Mesmo os senhores de escravos, crioulizados e menos sujeitos às apertadas e ossificadas normas da sociedade reinol, eram mais próximos aos seus dependentes e se tornavam cada vez mais disponibilizados para as festividades. Assim, a tabanka, um ritual emergente nas zonas rurais da ilha, que começou como uma forma de associação com objectivos defensivos, reflectindo muito do que os escravos observavam nas irmandades que se foram formando, foi-se desenvolvendo como um desfile público em que cada interveniente representava um elemento da sociedade.
Cada vez mais presente na cultura cabo-verdiana, a comemoração passa a ser hostilizada pela Administração Portuguesa, que receava a eventualidade de insurreição dos escravos, demais assombrada pelo que a tabanka espelhava, como o processo de resistência crescente dos aldeamentos guinéus e as revoltas de escravos que iam aparecendo em Cabo Verde A Igreja Católica também interfere, uma vez que identificava na cerimónia reminiscências animistas. Surge assim a primeira legislação proibindo a tabanka no fim do séc. XIX. Com tal repressão, ela se torna progressivamente uma manifestação clandestina, sendo mesmo proibida nos principais centros urbanos.

 

No entanto, com a independência de Cabo Verde, graças a investigadores e interessados, começam as tentativas de ressurreição das manifestações culturais genuínas, procurando pelo brilho e misticismo de outrora, ainda que se tenha verificado que, à mercê da evolução dos costumes e de relativo aggiornamento cultural das jovens gerações, muitas das tradições tinham aos poucos desaparecido. A escassez documental sobre ela existente tomou novos rumos com a candidatura da tabanka a Património Imaterial da Humanidade. No entanto, a quase absoluta falta de documentos é também uma arma defensiva dos seus praticantes, que vem até hoje na tabanka, uma bandeira da luta de resistência e um símbolo genuíno da cultura de Cabo Verde.

 

TABANKA - A GENUINE SYMBOL OF CAPE VERDE

 

The tabanka, kind of "brotherhood" or association of mutual aid arises in Cape Verde, in rural areas of the island of Santiago, around the century century. XVI. According to Eutropius Lima da Cruz, "it is essentially of a Danced procession [...] that mobilizes an entire village or group of people united for life and death [...] This collective manifestation enters the individual a sense of solidarity gives the procession of some importance and gives you a semblance of organization, magnitude, pace and collective effort while still being a fun ".
 
 
The tabanca word is from Guinea-Bissau, zone of abundant rivers from which came the first waves of slaves brought to Cape Verde. Originally designate in Temne language, the ramparts built on the coast by Portuguese navigators, but eventually report to the Guinean villages, to enter the Creole vocabulary, gaining a new meaning: the festivities of the slaves in the settlements of the islands that were gradually appearing and gaining strength.


According to José Maria Semedo and Maria R. Turano, the tabanka phenomenon of the century. XVIII goes back to the celebration of May 3, day of Santa Cruz of the slaves, when the owners, slave masters (morgados), imbued with the Christian spirit, gave them for a day, freedom. As a way of expression and resistance to the situation in which they were placed, the then freed took advantage of the fact to make their celebrations in defiance of way, performing street theater in which ridiculed the social structure in place, mixing Christian religious aspects with practical of African origin. Gradually the festive period increased, taking space from the beginning of May to the first days of July and lasted until the day of St. John, saint who became also one of the figures present in tabankas, as in the case of Achada Grande, Praia.

 

so begins the cross-contamination between the Catholic Church and the phenomenon of tabanka, influencing to each other. The ceremony ends up becoming a symbol of strength and endurance, which would reduce the cultural barriers between African peoples and the Portuguese. Maria Emilia Santos and Maria João Soares, explained in his book "General History of Cape Verde," that "the interpenetration of Catholicism and African religions in public demonstrations have provided the franking barriers by circumstances that passed unnoticed to own Catholics actors and "Gentiles." It is a natural phenomenon: the summer solstice. Religious rituals of the northern hemisphere people are marked by the same cosmic and coincident sense because governed by astral time. Thus, the day of St. John, the date of payment of rural incomes and all contracts, is the day-to-day festivities of the popular saints, already assimilated in Europe to parties of crops during the month of June and welcomed the Cape Verdean "tabanka.

 

Although historically Catholicism put some reservations to this festival, concerned about the manifestations of African culture, considered then as pagan, the clergy also creolized and also from rural areas, identified with the traditions and festivities proposed by the ceremony, why underlay to their origin and are therefore more likely to allow the practices where something began to dawn toward the beliefs of slaves. These, in turn, converted to Catholicism, sought to bring his actions of the Catholic Church (always present in their lives, since the conversion, forced or not), to build their own chapels, which were the natural center of the festivities that they celebrated.

 

Even slaveholders, creolized and less subject to tight and ossified rules of Reinol society were closer to their dependents and became increasingly available for the festivities. So tabanka, an emerging ritual in rural areas of the island, which began as a form of association with defensive objectives, reflecting much of the slaves watched the brotherhoods that were forming, was up developing as a public parade in which each actor representing an element of society.


Increasingly present in the Cape Verdean culture, the celebration happens to be harassed by the Portuguese administration, which feared the possibility of insurrection of the slaves, too haunted by the tabanka mirrored, as the growing resistance process of settlements guineas and revolts slaves who were appearing in Cape Verde The Catholic Church also interferes, as identified in the reminiscences animistic ceremony. This raises the first legislation prohibiting tabanka at the end of the century. XIX. With such repression, it gradually becomes an illegal manifestation, and even forbidden in major urban centers.

 

However, with the independence of Cape Verde, thanks to researchers and interested, start attempts resurrection of genuine cultural expressions, looking for brightness and mysticism of old, even if it is established that, at the mercy of evolution of customs and relative cultural aggiornamento of the younger generation, many of the traditions had gradually disappeared. The documentary shortage on existing she took a new direction with the application of tabanka the Intangible Heritage of Humanity. However, the almost complete lack of documents is also a defensive weapon of its practitioners, which is today in tabanka a resistance struggle of the flag and a genuine symbol of Cape Verde culture.

 

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